Até antes do dia 16 de dezembro de 1990 eu era só mais um Silva que a estrela não brilha um moleque ranhento que não era muito ligado em futebol. Lembro que na Copa daquele ano assisti Camarões e Argentina e simpatizei com os leões indomáveis, principalmente com o Roger Milla. Mas a Copa acabou e com ela minha repentina paixão por tudo ligado a gorduchinha que todo mundo ama.
Porém, no supracitado dia eu vi que o clima estava diferente. No começo era como uma tensão coletiva. As pessoas estavam apreensivas, você sentia isso com o vento. A rua que eu morava tinha pouca gente do lado de fora, incomum em um domingo de sol. Eu não entendia direito o por que daquilo, mas resolvi ficar apreensivo com as pessoas de casa, da rua, do bairro, quiçá do país.
Porém, não assisti o motivo de apreensão do pessoal. Não lembro, na verdade, o que estava fazendo até a hora que vi o lance do gol. Fabinho dá uma caneta em Ivan e tenta chutar. A bola sobra para Tupãzinho que empurra para o gol, de carrinho, no choro. Eu lembro que peguei uma camisa sei lá onde. coloquei ela num cabo de vassoura e saí para a rua feito Don Quixote, achando que estava de armadura e encarando todo mundo com o grito de campeão saindo da garganta.
Eu não sabia o que era o Corinthians, o que era torcer para um clube como o Timão. Mas naquele domingo de sol vi que aquela apreensão, aquele grito que saíra mais forte do que nunca, aquela explosão por algo desconhecido me acompanharia por 10, 20, 30, quantos anos mais pela frente. E apesar da descrença no viver após morrer, é certo que em algum outro lugar eu ainda serei corinthiano.
Parabéns Coringão. Você vai além de ser ou não ser o primeiro, como bem disse o Toquinho.
Meu Corinthians de todos os tempos dos últimos 20 anos:
Ronaldo – não era brilhante, mas era gênio. Guardo para a vida o drible que ele deu no Edmundo, em um Corinthians e Palmeiras que perdemos. Teve sabor de vitória.
Rogério – em 20 anos eu não vi nenhum Zé Maria no Corinthians, mas o Rogério não comprometeu.
Gamarra – Stalingrado em forma de zagueiro.
Chicão – é técnico mas é raçudo. Um Ezequiel com classe.
Kléber – parecia que cruzava a bola com as mãos, parte importante do lado esquerdo do Parreira.
Rincón – o melhor volante que eu vi jogar na vida.
Vampeta – o segundo melhor volante que eu vi jogar na vida.
Marcelinho – sorri em chorei graças aquele pé de moleque ranhento.
Neto – meu primeiro ídolo. Gordo, brigador, fumante. Um vencedor.
Edílson – EMBAIXADOR.
Carlitos Tevez – a versão bonita do Maradona.
