Assis não pode, Assis não dá
Assis revelou ao mundo que sim, existe almoço grátis. Um monte por sinal. De restaurante em restaurante foi fechando o contrato do seu irmão, Ronaldinho, com Grêmio, Palmeiras, Flamengo, Corinthians e quem mais tivesse bom saldo no vale refeição. Cafetão de restaurantes é uma modalidade nova a ser apresentada. Pimp my lunch.
Só que, em determinado momento, pagar conta – e talvez couvert artístico, vai saber – cansa. E assim os clubes foram deixando de lado, salvo o Flamengo que deve pro fisco mas não deve no cardápio. O vice do Milan diz que está 99,99% certa a ida do gaúcho para o clube carioca. A presidente (presidenta, me recuso) Patrícia Amorim diz que ainda faltam detalhes, para citar o vascaíno Roberto Carlos, não o lateral. Aposto que quando fechar o contrato, Assis vai lembrar do grande Evandro Mesquita e falar “ok, vocês venceram, BA-TA-TA FRITA”. Ao Grêmio resta dizer que o Ronaldinho não soube amar, com a torcida reforçando o coro que vem depois do refrão da Blitz, aquele que põe em xeque a santidade da mãe dos irmãos Metralha.
Mas o grande lance dessa negociação atrapalhada é ver o que ela nos ensina. Primeiro que, salvo os jogadores e empresários que vivem em Hogwarts cheios de magia, o resto do mundo é trouxa. Eu, você, o Escobar, o Chermont, o Odone, a galera da avalanche, o Palaia. Ok, mais trouxas ainda são aqueles “jornalistas” que bateram palmas quando o Galliani, o vice do Milan, disse que era tifosi do Flamengo. Teve gente que ouviu tifodi, lá para as bandas de Porto Alegre.
Ensina também que jogador brasileiro é mais supervalorizado que a democracia. Ronaldinho é craque, disso não há dúvida. Um mágico com a pelota no pé. Mas daí a transformar isso em uma espécie de Lost boleiro, cada episódio com aquele final “não temos o que fazer, vamos encher mais linguiça em Bragança Paulista” é demais. É só Ronaldinho, não é Poseidon que vai vestir a camisa de um clube nacional. Se bobear o Palmeiras saiu melhor nessa, trazendo o bom Maikon Leite. E quando o Palmeiras leva a melhor é sinal de que há algo errado nos jardins suspensos do Palestra.
Ronaldinho e Assis deram olé em todos, finta que não lembra em nada a época em que eram craques. Foi aquele drible de grosso, quando a bola corre demais e o zagueiro de menos. resta saber agora se alguém vai dar carrinho. Cadê o Dunga quando precisamos dele?
PS: uma dúvida que sempre aparece quando alguém fecha contrato com o Flamengo: esse pessoal não tem família? O clube deve mais que todos os países africanos somados vezes dois e ainda assim tem jogador que vai lá e assina como se estivesse em Camp David assinando a paz entre judeus e palestinos. Não tem uma mulher para falar “se liga ae, bemzão, que a qualquer hora você pode bobear na night, vou pedir pensão e você não vai pagar porque um clube que deve ao Estado deve ao Ronaldinho também, sem remorso”. Não é possível que todos sejam Assis, digo, assim.
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http://twitter.com/Bonilha Marcos Bonilha




