Bora Bahêa minha porra

Um dos times mais festivos do futebol brasileiro, o Esporte Clube Bahia está de volta à primeira divisão do futebol brasileiro. Afastado da série A desde 2003, ele pode ser considerado o 13º grande do futebol brasileiro. Aliás, é sacanagem chamar o Tricolor de Aço assim. Se for realmente pra fazer justiça, é justo considerar o Bahia o 1º grande clube do futebol brasileiro.
Afinal, quando resolveram criar a Taça Brasil (em 59) com o intuito de apontar o melhor clube brasileiro do futebol, reunindo 16 campeões estaduais, o Bahia estava lá, inclusive lutando contra um regulamento claramente elaborado para beneficiar os campeões carioca e paulistas, que entravam diretamente na semi-final. Enquanto o Bahêa era obrigado a jogar onze vezes, o poderoso Santos de Pelé jogou apenas cinco.
Um fato curioso é que como o placar do jogo não contava como desempate, o Bahia teve sorte, pois na decisão da Zona Norte, ganhou o primeiro jogo do Sport Recife, por 3 a 2, e depois e depois levou um sacode de 6 a 0. No jogo desempate, ganhou de 2 a 0, na Ilha do Retiro.
Na final contra o Santos, o time baiano que era considerado zebra, ganhou na Vila por 3 a 2 e perdeu na Fonte Nova por 2 a 0. No desempate jogado no Maracanã, o Bahia deu um show de bola e, de virada, derrotaram o Santos por 3 a 1, sendo os primeiros campeões nacionais e o primeiro time a disputar a recém criada Copa Libertadores da América, onde infelizmente não passaram da primeira fase (vai ver porque o saldo dessa vez fazia a diferença).
Em 1961 e 1963, o EC Bahia acabou vice-campeão, perdendo as finais para o Santos, com uma senhora goleada em cada final no Pacaembu e show de Pelé.
Campeonato Brasileiro
Mais uma vez lutando contra o favoritismo do adversário, o Bahia viria a ser campeão nacional novamente em 1988, derrotando o Internacional. Na 1ª fase, se classificou em um grupo que tinha times como o Corinthians, Botafogo e Santos, passando de fase junto com Cruzeiro, Grêmio e Vasco.
Nas quartas-de-final eliminou o Sport (atual “campeão” e freguês histórico), passando para a semifinal e eliminando o Fluminense. Na final, venceu o Inter no primeiro jogo por 2 a 1 e, quando o Beira-Rio já esperava a festa do tetra, o Esquadrão de Aço segurou o empate e garantiu o título “inédito” para a terrinha.

Até 1997, o Bahia participou de todas as edições do Campeonato Brasileiro, sendo rebaixado justamente nesse ano (junto com o Fluminense, que conseguiu cair duas vezes seguidas). Voltou em 2000, na bisonha Copa João Havelange, mas caiu de novo em 2003, chegando a amargar a série C. Depois disso tudo, retorna agora em 2011 com pompa e circunstância.

Retomando a ideia do início do post, acho injusto não considerar o Bahia um dos gigantes do futebol brasileiro – junto com São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Santos, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Internacional – pois o clube possui todos os ingredientes que fazem de um time grande que são títulos, torcida e história. Aliás, o Bahia foi o primeiro campeão nacional, num formato que times como Atlético-MG, São Paulo e Flamengo, por exemplo, não conseguiram. Além de ser campeão brasileiro, nos moldes atuais, antes mesmo que o Corinthians que, aliás, só foi conseguir ser campeão nacional em 1990, pois até aquele ano, só acumulava paulistas e torneios RJ-SP.
Enfim, ano que vem, teremos os 13 grandes do futebol brasileiro e clubes que, senão são grandes, tem sua história reconhecida no futebol brasileiro e são gigantes no seu estado, caso de Ceará, Atlético-PR, Coritiba, Figueirense, Avaí e América-MG.
Logo, o Campeonato Brasileiro de 2011 tem tudo para ser o melhor de todos os tempos e, espero, que com a permanência dos 13 para o próximo.
Bem-vindo Bahia e que fique no lugar de onde nunca deveria ter saído.

