Porra, Jóbson
Parece que o garoto não tem jeito mesmo. Habilidoso com a bola nos pés e pereba quando se trata de responsabilidade. Se o objetivo dele é jogar a carreira no lixo, parabéns, pois está conseguindo fazer isso direitinho.
Garoto pobre e de família necessitada, como 90% dos jogadores de futebol (começo a desconfiar que leite com pêra é ruim para futebolistas), Jóbson teve oportunidades que muita gente não chega nem perto de ter. Jogou em grandes clubes e poderia ter jogado em muitos outros. Botafogo, Atlético-MG e uma última parada no Bahia, que foi interrompida após 15 jogos. Saiu como artilheiro do time, o que demonstra que dentro de campo ele resolve, mas sua vida fora dele atrapalha e muito. Os próprios companheiros pediram a saída dele. Foi assim no Botafogo também.
Ninguém mais sabe o que fazer. O Botafogo já tentou de todas as formas. Joel Santana com seu jeito paizão também tentou, só falta a presidente Dilma meter o bedelho também, mas aparentemente o menos interessado em tudo isso é o próprio jogador, que está sabotando a própria carreira.
Fosse ele um cara responsável, talvez já estivesse até na seleção brasileira, quem sabe. Futebol para tanto ele tem e dentro de campo ele não foge da luta. Parte pra cima, encara os zagueiros sem medo, é uma jóia, mas a cabeça deve ter mais cocô do que qualquer outra coisa.
Agora, enquanto aguarda o julgamento do recurso da Corte Arbitral, Jóbson fica sem clube. Caso seja absolvido não pode mais jogar no Brasil, a não ser no Duque de Caixas, Macaé ou Madureira, que disputam as outras séries do campeonato brasileiro devido ao número de tranferências de estado que ele já fez no ano. Deve ficar parado até o fim do ano ou ir fazer merda num clube da China ou algo que o valha. Alguém vai abrigá-lo, com certeza, mas as esperanças de que ele tenha jeito são cada vez menores.
E assim se vai mais um cara com um grande potencial virar um Zé Ninguém. Daqui alguns anos ninguém mais lembrará do grande jogador que ele poderia ter sido. Talvez alguém o encontre num bar em sua cidade natal e sente pra bater um papo com ele. Provavelmente ele vai contar de quando foi jogador de futebol (“jogador famoso!”). Talvez ninguém nem acredite.
E isso porque estou excluindo a possibilidade de ele voltar – ou continuar – com as drogas. Aí o poço vai ser muito mais fundo. Escrevo esse texto torcendo muito para que a história seja diferente, mesmo não acreditando muito nessa opção.
PORRA, JÓBSON!
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http://www.visitantesfc.com.br Eric Franco
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Marcus Nunes




